As doenças respiratórias continuam sendo um grande desafio na fase de creche e terminação dos suínos. Durante um evento promovido pela Abraves Paraná, a médica veterinária e professora da Universidade Estadual de Santa Catarina, Daniele Gava, trouxe reflexões sobre os principais fatores que dificultam o controle dessas enfermidades e destacou soluções práticas para minimizar seus impactos.
Segundo a especialista, o problema envolve quatro fatores principais: os próprios suínos, os agentes patogênicos, o manejo e o ambiente. “A questão dos suínos e dos patógenos a gente não tem como modificar. Pelo contrário, precisamos entendê-los e prevenir que esses patógenos cheguem até os animais. Para isso, trabalhamos nos pontos que podemos controlar, como o manejo e a questão do ambiente, seguindo medidas de biosseguridade nos seus aspectos mais importantes”, explicou.
Ambiência e manejo: onde melhorar?
Um dos pontos de atenção levantados pela professora é a ambiência das granjas. Oscilações de temperatura, concentração elevada de gases como CO₂ e amônia e excesso de poeira podem comprometer a saúde dos suínos. “Sabemos os limites que precisamos respeitar. Cada produtor conhece os gargalos do seu sistema, mas ainda existem muitos ajustes que podem ser feitos para minimizar esses problemas”, ressaltou.
No manejo, um dos erros mais comuns é a mistura de lotes de diferentes origens, idades e status sanitário. Esse processo aumenta o estresse dos animais e favorece a disseminação de doenças. “A mistura de lotes é um grande desafio. Tiramos o suíno de perto da mãe, mudamos sua alimentação e ainda o expomos a fatores desafiadores. É como uma criança que vai para a creche: quanto mais exposição a diferentes indivíduos, maior a chance de adoecer”, comparou Daniele.
Além disso, a professora alertou para falhas no pacote básico de biosseguridade, como limpeza inadequada, uso incorreto de desinfetantes e períodos insuficientes de vazio sanitário. “Às vezes, a limpeza seca e úmida não é feita corretamente, o desinfetante não tem tempo suficiente para agir e o vazio sanitário, que deveria ser de dias, se resume a poucas horas”, criticou.
Ciência e prática: como conectar esses mundos?
Levar conhecimento técnico e científico para quem está na linha de frente da produção é um dos desafios do setor. Para Daniele, a chave está em sensibilizar os profissionais de diferentes formas. “A gente nunca sabe quem estará na plateia – pode ser pessoal do campo, alunos de graduação ou tomadores de decisão. Mas quando falamos de produção, precisamos sensibilizar no bolso, porque é aí que se percebe o impacto”, afirmou.
Outro aspecto muitas vezes negligenciado é a transmissão bidirecional de agentes entre humanos e suínos, o que reforça a necessidade de medidas rigorosas de biosseguridade. “Se não dói no bolso, precisamos olhar pelo lado da saúde pública para plantar essa sementinha de conscientização”, acrescentou.
Por fim, a médica veterinária destacou ainda a relevância de eventos como o promovido pela Abraves Paraná para a atualização dos profissionais do setor. “Esses encontros trazem temas que realmente refletem os problemas enfrentados na região e permitem uma rápida atualização dos participantes”, disse Daniele.